domingo, 28 de fevereiro de 2010

Presente

Meus pais moram na zona norte de Porto Alegre. Aqui na zona norte é onde acontece o maior número de crimes - isso inclui assassinatos, roubos, assaltos, etc . Em função disso, foi instalada uma grade na porta do apartamento. Apesar do condomínio contar com portaria 24hs, é melhor prevenir! E foi justamente entre essa grade e a porta, que minha mãe encontrou 4 livros hoje pela manhã. Ela estranhou e resolveu guardá-los à espera que o dono viesse procurá-los.No entanto, à noite, quando cheguei em casa, os livros ainda estavam aqui.
Todos saíram, então resolvi examiná-los afim de encontrar ao menos um para uma leitura sem compromisso. Dois deles, eram auto-ajuda barata. Sequer continham o nome de seus autores - suponho que sejam do mesmo autor já que a estrutura e linguagem sugerem integrarem uma coleção. Outro, também de auto-ajuda, aparenta maior riqueza de vocabulário, além de ser de autoria de uma conferencista que conta com clientes como a Mercedes Benz e AT&T - uau! estou impressionada! E um livro de bolso do qual já havia ouvido falar "A vida é bela" de Dominique Glocheux.
Comecei a folhá-lo e ler trechos aleatórios. Gostei muito do que li. Frases leves e que me fizeram pensar: "cara, a vida é tão bela!" Senti-me como que apaixonada. Encantada com a capacidade do autor de perceber a beleza e a felicidade que as coisas mais simples da vida podem nos proporcionar.
Glocheux acaba de tornar minha noite mais feliz. A partir de agora, toda vez que eu acreditar que a vida é injusta e feia, lembrarei que a vida é bela!
Enquanto termino de escrever o último parágrafo, batem na porta. Ao abrir, não encontrei ninguém. Quando a porta já estava quase fechada, surge uma senhora e pergunta-me se eu havia pegado os livros. Respondi que sim e ela me disse que são presentes para minha irmã. Na verdade, o presente foi para mim.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

CHANGE

As mudanças não acontecem de uma hora pra outra. Tenho consciência de que toda essa mutação aconteceu de forma gradativa e relativamente lenta. Digo isso porque nem mesmo eu me reconheço em algumas atitudes e pensamentos. Pode parecer que isso seja fruto da mudança de cidade, por consequência, mudança de pessoas com quem me relaciono. Mas sei que não se trata disso somente.
Antes mesmo de mudar-me para Pelotas sentia-me frustrada em relação a muitas coisas. Algumas convicções já não faziam tanto sentido assim. Algumas pessoas já não faziam tanto sentido assim... Talvez sem perceber, talvez percebendo, fui me adaptando à nova realidade. Mudando de ideia mesmo.
De certo modo isso é bom. Acredito que sempre fui muito categórica, extremista. Ou as pessoas eram boas ou então, eram más. Ou eram amigas em quem poderia confiar cegamente, ou não valia a pena me relacionar com elas. Estava errada. Continuo valorizando pessoas nas quais posso confiar, porém, hoje percebo que mesmo aquelas com quem apenas converso sobre assuntos impessoais, também podem fazer diferença na minha vida e torná-la mais alegre e cheia de novas experiências. E essa questão das pessoas é apenas uma faceta dessa mutação.
O lado ruim é o fato de eu já não ter tanta certeza assim de quem eu sou. Antes parecia tudo muito claro. Tinha a sensação de ter todo meu futuro planejado, determinado. Nada estava incerto. E agora me sinto insegura em relação a isso tudo. Tem muitas coisas que desejava com todas as minhas forças e que agora pouco importam. Outras que não me despertavam interesse e hoje são aquilo que mais desejo. Exemplo disso é minha carreira profissional. Tinha convicção de que meu futuro seria como uma cientista social engajada na luta por condições igualitárias de vida. Lutar pelo povo seria tudo que me traria realização profissional e pessoal. Hoje pretendo cursar faculdade de direito e posteriormente especializar-me em direito social.
A impressão que tenho é a de que quem sou está escorrendo pelo ralo e que talvez esse não seja o melhor momento para uma "crise de identidade" - como diria a Greyce. Em poucos meses já não serei mais "teen" - hehehehehe - o que todos esperam de mim é que eu esteja convicta, segura, como sempre estive. No entanto, parece que estou vivendo uma adolescência retardatária. Espero que isso passe logo e que em breve eu posso vi até aqui postar coisas mais alegres e leves.
É a vida - minha frase que já virou bordão!